• As pessoas mais felizes precisam de pouco
  • As pessoas mais felizes precisam de pouco


    Era uma viagem curta de férias. Uma moça simpática sentou na poltrona ao lado. Tirou os fones de ouvido, sorriu e puxou assunto. Descobri que estávamos a caminho do mesmo camping. Isso bastou para que passássemos dias tranquilos em um paraíso baiano escondido.

    No dia seguinte, descobri que era o aniversário dela. “Eu quis passar o dia do meu aniversário aqui, sem sinal de celular, sem presentes e sem confetes.”

    Pensei na simplicidade daquela escolha – e me senti responsável por proporcionar àquela semi-desconhecida um aniversário decente. Comprei um colarzinho hippie de presente e a convidei pra fazer uma trilha. “Acho que prefiro ficar aqui e participar desse bingo dos nativos.”

    Vejam bem, não era uma festa ou um grande evento turístico. Era um bingo simples, de cujos prêmios eram uma batedeira e um liquidificador, promovido pela gente divertida daquele vilarejo.

    Definitivamente, não era um programa para turistas, mas nos divertimos tanto quanto nos divertiríamos em uma cachoeira ou numa paisagem natural maravilhosa. Rimos dos erros do cantador, dos participantes que bradavam porque “só faltava uma bolinha pra eu ganhar!!!”, dos bêbados que cambaleavam entre as pessoas e dos olhares de estranhamento que nos dirigiam.

    Além de todas as risadas, levei para casa uma lição: as pessoas simples não precisam de grandes feitos. Elas se divertem em viagens internacionais ou em bingos beneficentes. Elas são felizes num sábado badalado ou numa noite tranquila vendo netflix. Elas não esperam tanto de seus aniversários, ou de seus dias ensolarados, ou de suas viagens não planejadas.

    As pessoas realmente felizes não precisam de alegrias programadas: a elas basta qualquer coisa que possa avivar toda a alegria que já levam em si. Essas pessoas não fazem questão de hotéis luxuosos: contentam-se com uma barraca de camping e um céu cheio de estrelas pra acompanhar.

    Elas não precisam dos sapatos mais caros, sempre optam pelos mais confortáveis. Elas compreendem que a vida é muito mais sobre como nos sentimos diante do mundo do que sobre como o mundo se coloca para nós.

    Para estas pessoas, as coisas raramente dão errado, porque elas já não esperam muito: vão vivendo, com certeza lúcida de que qualquer coisa boa que lhes acontecer é lucro. Vão amando cada pedaço do que lhes chega e sorrindo por cada pedaço que lhes falta.

    Elas compreendem: ser feliz é simples quando a gente sabe viver.

    (É essa gente que eu quero por perto).

    ass-nathalie


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