• Nem românticos, nem cafajestes: fragmentos do  que as mulheres querem de verdade
  • Nem românticos, nem cafajestes: fragmentos do


    que as mulheres querem de verdade


    Não vou guardar pro final. Vou começar o texto respondendo à pergunta: NÃO. Não gostamos dos fofinhos, romanticozinhos, legaizinhos e tão inhos que nos ligam um milhão de vezes por dia.

    E não falo só pelo que sinto: tudo que me atrevo a dizer nasce de uma (breve) vida inteira de observação ao comportamento feminino. Então, não adianta dizer que eu estou mentindo: nenhuma mulher se sente nas nuvens por um homem que fala “lindeza” e dá beijo na testa. Que manda flores e compõe canções rimando “amor” com “flor”, por uma razão tão simples quanto irrefutável: Tudo que é doce demais, uma hora enjoa.

    E se você, por causa desta minha tão escrachada sinceridade, está resgatando aquele velho discurso de que mulher gosta mesmo é do cafajeste, receio que tenha errado também.

    Não caímos de amores pelo “cara que pensa em nós toda hora e conta os segundos se demoramos”, então, só lhe cabe comemorar se este cara não é você, mas, é conveniente avisar que tampouco nos interessa o rei da mulherada, que procura sexo como se sua vida dependesse disso, bate no primeiro poste quando vê uma mulher gostosa de legging e levanta uma das sobrancelhas quando quer falar algo que julgue sensual.

    O garanhão escancarado só arranca suspiros das mais ingênuas mocinhas em perigo, e, convenhamos – felizmente, por sinal – que elas estão praticamente extintas em um mundo de mulheres cada vez mais independentes. É fato consumado que a mulher moderna não se deixa enganar, e tampouco seduzir pelo mau-caratismo disfarçado de sorriso maroto. Afinal, nosso desejo de ser únicas pra alguém não nos deixaria preferir os garanhões.

    A mulher moderna, que, em muitos casos, cresceu aprendendo a arte da praticidade e da objetividade, não tem mais tanta paciência para ouvir três declarações de amor por dia. Até a mais romântica das mulheres se sentiria entediada com tamanho romantismo exagerado – até por que amor demonstrado em excesso só tende a perder a graça.

    A esta altura do papo, sou obrigada a concordar: as mulheres são difíceis, mesmo, mas só um pouquinho. É que gostamos do equilíbrio. Do homem das flores e do puxão de cabelo. Do fogo e do gelo que se equilibram e se complementam numa intensidade ideal. Gostamos de quem nos estimule, nos motive, nos desafie.

    De quem nos deixe seguras, mas não tanto a ponto de sentirmos que não precisamos mais cuidar. De quem nos faça sentir amadas, mas não adoradas a ponto de sequer precisar retribuir. De quem nos faça sentir única em sua vida, mas não a única alternativa possível – porque, por mais que tentemos negar, homens e mulheres gostam do perigo, e segurança em excesso nos acomoda. E, convenhamos, não há nada de mais insuportável do que uma relação que nos acomode.

    Preferimos o homem que não cante a nossa melhor amiga, mas não deixe de reparar no quanto ela é gostosa, porque, porra, ela é mesmo! Homens que passam a usar uma venda invisível – ou fingir que usam – quando estão comprometidos não apenas não convencem como se tornam cada vez mais intragáveis.

    Queremos o homem que saiba ser nós, mas não deixe de ser eu, jamais. Que nos diga com os olhos todo santo dia o quanto são nossos, mas que nos deixe sempre a certeza de que podem deixar de sê-lo a qualquer momento. Este é o nosso desafio diário – aliás, este é o desafio diário de qualquer relação, independente do gênero: cultivar.

    Um homem não precisa descobrir todos os nossos gostos e aprender os nomes dos nossos esmaltes para serem bacanas. Aliás, os homens mais sensacionais que conheço não entendem de esmaltes, coincidentemente ou não. Os homens que nos interessam, na verdade, só precisam entender de conquista diária, sexo gostoso e um pouquinho de jogo de cintura.

    ass-nathalie


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