• Relacionamentos Sanguessuga: Você Também  Vai Deixar Seu Namoro Sufocar Suas Amizades?
  • Relacionamentos Sanguessuga: Você Também


    Vai Deixar Seu Namoro Sufocar Suas Amizades?


    Vocês são melhores amigas, do tipo que não dividem apenas vestidos – também dividem vidas. Amigas da faculdade, do cursinho, do colégio, do maternal II, de infância. Não importa a época, vocês são tipo unha e carne. Daquelas pra qual você liga pra perguntar que roupa ela vai usar 30 minutos antes da festa, aí você tem uma crise de TPM de olhar pro armário abarrotado de roupas e achar que nem uma serve, porque hoje você acordou se sentindo feia, parece que o espelho te olhou e não te quis, teve um bad hair day, parece que nunca vai entrar naquela calça jeans, amaldiçoa de nada adiantar a caesar salad que pediu no almoço enquanto todo mundo comia hambúrguer e fritas e ameaça se matar porque o espelho do banheiro te engorda. Aí a amiga acompanha sua dor e seu martírio e num passe de mágica tira das mangas um vestido lindíssimo pra te emprestar.

    Também é ela aquela que segura seu cabelo quando você tá vomitando as tripas depois dos três, ops, cinco, ops, não-me-lembro-quantos mojitos ingeridos numa velocidade mais rápida que o normal e acompanhados por uma barriga vazia. É ela que te cobre quando você adormeceu na sala e se esqueceu da coberta. Ela te protege das madrugadas frias e dos telefonemas de madrugada errôneos para ex-ficantes, ex-namorados, ex-buddyfucks. Ela pode às vezes ter métodos não convencionais, como sumir com o seu celular, mas melhor escutá-la porque na manhã seguinte, de ressaca, você vai saber que ela tava com a razão.

    É ela odiar suas ~inimigas~ sem nenhuma razão aparente, apenas pelo fato delas serem umas recalcadas que invejam o seu sucesso. É ela captar o seu olhar e invadir seus pensamentos. Em níveis elevados desse tipo de sisterhood, vocês são capazes até de ter conversas telepáticas e rirem mentalmente sem que os outros percebam. É a amizade mais sincera e mais pura que existe. É você se sentir amada porque ela guardou o último bolinho de chuva pra você na geladeira. É se sentir abraçada com um sorriso, um bilhete, um gesto qualquer que faça você perceber que aquela pessoa não tem motivo nenhum, mas mesmo assim se importa muito com você.

    Mas acontece que em um ponto da vida, a amizade inabalável se esbarra num corpo estranho que acaba sem-querer-querendo atrapalhando a dinâmica natural das coisas. Eis que uma das duas (ou ambas) começa a namorar. Aí vocês que se viam quase todos os dias passam a se ver uma vez por mês. É que na correria do dia-a-dia, em que às vezes falta tempo até pra ir ao banheiro, torna-se quase um desafio conciliar amizade e amor. Parece inevitável a sensação de culpa por sentir que está abandonando ou deixando a pessoa de lado (afinal, são eles que estarão por perto quando você precisar). Mas, quando a gente ama, queremos curtir o ser amado, passar tempo todo grudado, e muitas vezes adiamos a presença dos amigos. E pior: os amigos (solteiros) estão em outra pegada, saindo pra balada, flertando, saindo com gente nova – e quem namora acaba ficando meio deslocado. Então você tem de um lado a cobrança dos amigos, do outro a cobrança do(a) namorado(a). Um mundo no qual amores e amigos ganham partes proporcionais da vida é utópico?

    A vida é feita de escolhas, e é preciso não se esquecer de incluir os amigos nessas escolhas para que o temido afastamento não aconteça. É preciso fazer um exercício mental de se colocar na pele do outro: ninguém quer se sentir abandonado. E que atire a primeira pedra quem nunca foi “trocado” por namorada de amigo. É impressionante como a mudança de comportamento vai acontecendo na medida em que o relacionamento vai tomando forças. Aos poucos, você sente que vai perdendo espaço, e de amigos de berço viramos simples desconhecidos. São os chamados relacionamento-bolha, nos quais os namorados-sanguessugas se fecham entre si e, deslumbrados com a descoberta do amor, sentem que não precisam de mais ninguém – a não ser um do outro, é claro – para que a vida tenha um sentido e o mundo gire.

    É por isso que quem abomina os relacionamento-bolha se vê, de repente, numa encruzilhada. Tendo que arquitetar qual será a melhor maneira de dividir o pouco que sobra do tempo livre entre família, amigos e namorado. Se você mora longe de sua família, o desafio é maior ainda. Faltam finais de semana para tantos dias “úteis” que sobram na folhinha do mês. E logo eu que amava a espontaneidade de um fim de semana não-planejado (e por isso cheio de possibilidades ainda não descobertas) e odiava me programar, me vi obrigada a aderir ao Google calendar. Organização é essencial para não perder o amigo de vista. Agendar encontros, marcar cafés, planejar bar. Às vezes a rotina não dá trégua, e vocês vão passar, sim, meses sem se ver. Mas acredito que amizades sinceras são aquelas que, quando você se importa, não importa a distância dos encontros. Quando eles finalmente acontecem parece que nunca foram interrompidos. Amar é como cultivar uma planta: precisa regar, precisa cuidar. Enquanto seu amigo se sentir regado, pode ter certeza de que a amizade não morrerá.


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