• Homem Não Sabe Gozar
  • Homem Não Sabe Gozar


    Companheiros do sexo masculino, venho por meio deste fazer um reclame a nós, máquinas sexualmente incansáveis que estão sempre dispostos a atingir o prazer com qualquer mulher que se disponha a tal atividade conosco. Na verdade, esse início cheio de alarde e de palavras difíceis foi só uma forma de chamar a atenção (talvez bastante equivocada) para um fato que passa batido no cotidiano de homens e mulheres por esse mundo afora: nós, homens, não sabemos gozar.

    Todo mundo sabe que o prazer sexual dos homens está intimamente ligado ao processo de ejaculação. A respiração fica mais pesada, o coração acelera, a gente sente que não dá mais pra segurar e explode em gotas que poderiam ser facilmente comparadas a lágrimas de felicidade tamanha a sensação do momento. Só que essa forma de prazer é bastante precária, se formos discutir. Existe uma grande diferença entre gozar e dar uma ejaculadinha, caso contrário, qualquer punhetinha teria, então, o mesmo valor que aquela transa inesquecível com a morena do apartamento de cima? O raciocínio é bem por aí. É só ver o comportamento sexual feminino, embora as diferenças tenham justificativa fisiológica. Elas precisam de estímulo e conseguem revirar os olhos de prazer sem necessidade de um pau gigante dentro delas ou de atividade direta na “menina”. As formas de prazer femininas estão ligadas ao estímulo sensorial e a um processo de sedução corporal que passa pelo corpo inteiro e não se concentra só no órgão sexual delas. Elas conseguem obter prazer ao serem tocadas em partes que a gente nem imagina.

    E é disso que nós nos esquecemos e, talvez, seja um dos grandes fatores que nos atrapalhem no sexo, tanto na hora de sentir prazer como na hora de proporcionar. Nós concentramos todo o nosso prazer no nosso pau ereto pronto pra receber um bom boquete ou fazer papel de britadeira até ejacularmos. Ao mesmo tempo em que essa tradição se desdobra em camas ao redor do mundo, situações e culturas mostram que os verbos “gozar” e “ejacular” têm um significado em comum cada vez mais distante. Homens fingindo orgasmo, quando isso parecia impossível para toda a humanidade; rapazes concentrados ejaculando de pau mole (sim, isso é possível!) e culturas diferentes com praticantes que dão a vida para provar que tiveram o melhor sexo de suas vidas sem nem encostar no pênis (sexo tântrico, por exemplo). É uma revolução sexual e, por que não dizer sensorial, que tem mostrado ao homem a possibilidade de estender a prática do sexo a todo o seu corpo.

    Gozar tem mais relação a sentir carícias, a ter os pelos arrepiados, a fechar os olhos de prazer. Quando se estimula o corpo e se percebe que essa coisa do “paucentrismo” é totalmente equivocada ou, no mínimo, ultrapassada, a gente tem a possibilidade de entender melhor o nosso corpo e entender como satisfazê-lo. Assim, a gente abre um espaço de aprendizado gigante para um repertório de práticas sexuais tão vasto que mestre nenhum do Kama Sutra poderia se queixar. Também passamos a entender melhor o corpo de uma mulher ao mesmo tempo em que prolongamos o nosso prazer (e cá entre nós: isso ajuda muito a controlar a vontade de ejacular e torna o sexo mais prazeroso e duradouro). E, no fim, tudo acaba convergindo para a tal ejaculação, já que é uma função do nosso corpo quando atingimos certo nível de tesão. Mas, caros amigos do sexo masculino, a verdade é que não sabemos gozar, visto tudo isso. Nada nos impede de aprender que o sexo pode ser melhor se tentarmos sair do modelo pré-fabricado de sexo convencional e nos permitimos explorar o corpo. Quem sabe você não descobre que a sua nuca ou as suas costas ou então a sua coxa podem te fazer sentir que aquela tal foda homérica com a vizinha do apartamento de cima não foi nem tão boa assim?


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