• Ex Bom É Ex Vivo
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    Difícil entender a mania das pessoas de querer apagar o passado. Falar de ex é mais tabu do que propor fio-terra. É motivo de briga, de climão, de cara fechada. E uma das dúvidas eternas femininas ainda continua sendo: “Porque ele insiste em falar da ex?” O lema “ex bom é ex morto” perdura por gerações de pessoas incomodadas com o fato que todo mundo tem um passado – seja ele negro ou branquinho.

    O fato é que o ser humano tem a irritante mania de ser ciumento. Queremos tudo pra gente, até o passado do outro. Queremos acreditar na utópica ideia que a vida do outro só começou a partir do glorioso momento em que surgimos nela. Outro dia um amigo contou que a namorada surtou porque foram viajar e ele deixou escapar que já tinha ficado nessa mesma pousada com a ex. A única explicação que vem a cabeça para esses surtos estranhos é que a moça ficou se sentindo menos importante por ter sido a segunda, em vez da primeira, a ter sido levada lá. A realidade provavelmente despertou o lado competitivo dela, a fazendo pensar que ela deveria ser melhor que a ex. Ora, como se sentir menos importante, se ele te levou ao mesmo lugar, provavelmente porque gostou da experiência e achou que valeria a pena vivê-la também com você?

    Os relacionamentos que tivemos no passado são os responsáveis por termos nos tornado quem somos hoje. Há poucas coisas na vida que nos ensinam mais do que viver lado ao lado de alguém com um universo diferente do seu. Cada ex significa mais experiências no currículo e uma melhor visão acerca dos relacionamentos. Não há alguém que passe pela nossa vida sem deixar ensinamentos. Podem ser ruins ou bons, mas o importante é aprender. E esse homem ou mulher que você ama hoje só é dessa maneira porque acumulou experiências que o transformaram no que ele(a) é hoje.

    Além disso, ex é ex. Já está no nome. Pertence ao passado. Mas memórias nunca serão apagadas. Você pode lutar incansavelmente para que ele nunca cite o nome da ex, para que doe os presentes, que queime a caixa de cartas antigas. Esforço inútil. Querer apagar as memórias do outro é uma tarefa impossível – você pode lutar contra as coisas óbvias, mas como vai saber se aquela camisa que você acha linda não foi justamente um presente da outra no passado? Ou se aquela camiseta que ele sempre te empresta quando você dorme na casa dele, com um número muito menor do que o que ele usa, não é um vestígio do passado? Você pode até lutar contra as coisas materiais, mas o invisível – que é o que realmente importa – ficará lá para sempre. Aprenda a viver com isso.

    Ter orgulho do passado e se recusar a apagá-lo demonstra um orgulho da nossa biografia, da nossa história. Todo mundo deveria ter orgulho da trajetória que escolheu trilhar. Além disso, não há nada que nos ensine mais sobre a pessoa com quem dividimos a cama e a vida do que ouvir histórias dos relacionamentos antigos e aprender com eles. Eu sempre tive uma curiosidade latente sobre as ex dos meus atuais. Gosto de saber de detalhes, de experiências, de situações bacanas, engraçadas, tristes. E pergunto sem a pretensão de querer fazer melhor, e muito menos de querer arrumar motivo para brigas. Pergunto com o mesmo interesse com o qual falo do meu passado. Ouço com a eterna curiosidade de uma estudante no curso da vida.

    Assim como tenho um carinho e agradecimento pelas pessoas que caminharam comigo no passado, quero que o outro tenha também. Até porque, no futuro, eu posso ser a ex e iria odiar saber que os momentos vividos foram apagados da memória (e das gavetas) por causa de uma atual egoísta que não respeita o passado alheio. Não quero que minhas cartas sejam queimadas, que meus presentes sejam doados, que minhas marcas sejam apagadas. Lembro dos ex com carinho e respeito por pessoas que já fizeram parte da minha vida e que contribuíram para minha história. E é assim que gostaria de ser tratada também.

    O fato é que ex só é tabu se a gente trata o assunto dessa forma. Tem gente que só de falar de uma situação passada na qual a ex estava envolvida já se treme todo, fica vermelho, gagueja. Tem gente que nem tem coragem de citar o nome dos casos passados por medo das consequências presentes. Já os que tratam o assunto com naturalidade automaticamente passam a ideia de um passado bem resolvido, importante, mas que ficou pra trás. E é nossa obrigação tratar nossa história com carinho, e não permitir que um novato chegue querendo impor que passe uma borracha na sua vida. Sua vida já existia muito antes dele chegar. Quem não consegue lidar com esse fato já dá sinais claros de que não merece assumir o posto de oficial. Deixe para eles somente o papel de coadjuvante. Guarde esse espaço VIP para alguém com maturidade suficiente para ocupá-lo.

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