Essa mania de só gostar de quem mora longe

Que atire a primeira pedra quem nunca pensou “droga, por que as pessoas mais interessantes que eu conheço moram longe?”. Parece que existe um buraco negro que afasta a gente das pessoas interessantes, das melhores aventuras, dos amores mais loucos justamente porque eles se encontram a quilômetros de distância.


Há vida fora desta telinha

Se vida fora da Terra? Até acho que sim, mas, por falta de evidências científicas, eu não posso lhe garantir. De uma coisa, porém, eu tenho certeza: existe muita vida – subaproveitada, por sinal – além deste retângulo luminoso em que agora me lê e, com o qual, você anda cada vez mais grudado, como se ele fosse essencial à sua sobrevivência. 


Sobre os pequenos amores

A gente se encontra no metrô, sem querer. Você de camisa recém passada indo para o trabalho. Eu de roupa de academia, indo fingir que me exercito. Você fala “oi”. Te digo um “oi” entredentes, você sorri e pega meu telefone. Nos falamos por horas, por dias, até entupir o aparelho com gotículas corrosivas de saliva, melada pela intensidade dos amores no começo.


A gente quer é coerência

Acho sempre muito bonito e importante a ideia de reciprocidade, por mais que ache que é um pouco utópica, já que você nunca vai sentir pelo outro a mesma coisa que ele sente por ti e vice-versa. Mas, baseando-me no sentido de que esperamos que as ações do outro sejam recíprocas e não nos façam de trouxa, sinto que falta uma coisinha aí. E não é bem reciprocidade.


A diferença entre liberdade e solidão

“Com quem você foi?”, perguntam-me direto. E após minha resposta mais comum – “sozinho” -, olham-me com pena, como se eu fosse um vira-lata faminto e esquecido num sereno invernal. Mas eu não sou, viu? Que fique bem claro!


30 coisas que uma tia gostaria de dizer para a sobrinha

Ter um sobrinho talvez seja o melhor presente que seus irmãos podem te dar. A troca de amor entre você e um ser que nasceu já sendo seu, te coloca em uma posição de completa devoção para tudo que ele quiser que você faça, compre, brinque, entenda, supere.


Você precisa morar sozinho

Você precisa saber o que é chegar em casa, tirar os calçados num canto e ver seu sofá te esperando. Com seus livros nas estantes, as fotos da turma nos porta retratos e o tapete comprado, na feira do bairro, fazendo par com o abajur de brechó. Cozinhar sua própria comida, pegar sua própria bebida e escolher sozinho o que ver na TV.


10 coisas para fazer quando se sentir um lixo

Tem dias em que a gente acorda se sentindo um lixo. Não precisa ter motivo: de vez em quando você só quer chorar num quarto escuro – ou, eventualmente, morrer.

Acontece com todo mundo, acho – ou eu é que sou estranha.


Vocês não precisam gostar das mesmas coisas

Mais importante que um casal que concorda sobre o filme para assistir, num domingo de chuva, diante do Netflix, é um casal que tem jeito parecido de levar a vida. Que tem caráter, ritmo e anseios semelhantes. Você pode ser um viciado em quadrinhos e ela ler Foucault no café, isso importa, claro, mas não tanto quanto a sintonia de vocês.


A liberdade que te obriga a algo não é liberdade

“Você não é empoderada? Então chupa o meu pau!”

Não fui eu quem ouvi isso – tanto que a integridade física de quem proferiu tal frase permanece incólume. Uma amiga me contou a anedota num bar feio, curiosamente depois de nossa primeira reunião para a criação de um coletivo feminista na cidade.


O amor da sua vida passou enquanto você mexia no celular

Ele deu um sorriso meio canto de boca quando ouviu a sua risada fora do tom, mas você nem viu. Era importante naquele momento atualizar o Instagram, o Facebook, o Whatsapp e o Twitter com a selfie que guardaria para sempre aquele momento único do que mesmo?


Desliga o som do mundo e abre uma garrafa de vinho comigo

Venha, aquiete seu olhar sempre apressado aqui no meu peito.


Eu vou embora de você

Eu vou embora de você. Da sua vida bagunçada, dos seus vícios espalhados pelo chão do quarto e do seu abraço. Eu vou embora porque preciso me libertar do seu amor destrutivo, do seu humor instável e da sua paixão inconstante. Vou embora porque você me faz mal ao estômago, me dá enxaqueca e enruga a alma.


Essa é uma declaração de amor (sem prazo de validade)

Essa é uma declaração amor. É séria, não é mais uma não, nem palavras soltas, daquelas que inundam nossa timeline. É um posicionamento, acho, não sei se combina, talvez. Só para que saiba que eu topo. Topo fazer bate-volta para te ver, sempre que você quiser. E eu odeio bate-voltas. Mas vou amar ir te ver, então, tá tudo certo.