Tudo passa, menos a saudade

Já lavei as louças, tomei banho demorado, arrumei o armário, fiz bolo de banana, pesquisei sobre brigas felinas no Google, bebi com uns desconhecidos no boteco da esquina e li meio livro. Porém, de nada adiantou: a saudade não passou nem diminuiu. Continua firme e forte. Inabalável. O contrário de todo o resto que, graças ao efeito do tempo, murcha.


San Junipero já existe

Depois de algumas horas no Happn, enfim surge a pergunta:

– Quer migrar de plataforma?

Não. Queria migrar para o teu sofá. Ou melhor, espera, quem sabe você migra pra cá. Queria te ver em tamanho real, movimento, três dimensões. Isso não foi uma cantada. Estou falando sério.


Um brinde às diferenças

Aceitar as pessoas como elas são é talvez uma das maiores dificuldades dos relacionamentos. Isso porque a parte boa vem inquestionavelmente de bom grado, mas a ruim sempre rola aquela expectativa marota de que com o passar do tempo tudo vai se ajeitar. De fato, a tendência é que os trilhos entrem nos eixos sim.


Uma pequena porção de ilusão

Sempre me orgulhei por ser um cara extremamente sincero, do tipo que sem muito pensar responde “não gostei” quando questionado sobre um novo corte de cabelo ou sapato. Hoje, porém, estou revendo a necessidade de ser ininterruptamente e totalmente sincero.


Que me perdoe o Kama Sutra, mas papai e mamãe é bom demais

Ontem eu falei pra ela que queria inovar na cama e ela me olhou assustada. Disse pra ela algo como querida, pode ficar tranquila, você vai gostar. Passamos o dia trocando fotos pelado, fiquei de pau duro no trabalho, ela foi com uma calcinha fio dental e me mostrou fotos na área de limpeza do serviço, comprei até uma cueca nova.


Eu queria um amor, não um financiamento

Eu não quero ser a chata. Você já deveria saber. Nós nos conhecemos, nos interessamos, eu me aproximei porque quis e achei que você gostasse também. Que fique claro: sei o caminho de volta. Não precisa se preocupar.


A pessoa certa, na hora errada, não é a certa

“Você é perfeito, eu adoro você, mas estamos em tempos diferentes“. Confessa vai, todo mundo, no mundo fantásticos dos adultos solteiros,  provavelmente já falou ou ouviu esta frase, que dependendo do grau de envolvimento, pode doer tanto (ou mais) quanto bater o dedo mindinho do pé em algum móvel da casa.


Quando é difícil aceitar que ele não está tão a fim de você

Justificar o comportamento do outro não muda quem ele é, o que ele fez, muito menos o que ele pensa. Ficar parado na frente da porta esperando que ela magicamente se abra também não altera positivamente o rumo desta história. É preciso pés no chão e discernimento de sobra para aceitar as coisas como elas são.


Dá pra fazer amor trepando

Que os apreciadores de sexo fofinho me perdoem, mas, para mim, na hora H não há espaço para “eu te amo” nem para chuva de pétalas ao som de Julio Iglesias. Aliás, tem coisa mais fodedora de clima do que uma porção de bem-me-quer atirada sobre o edredom?


Já passei da idade de gostar de amores enrolados

Depois de alguns anos achando o máximo aquele tipo de paixão arrebatadora de quem não dá certeza nenhuma pra gente, eu percebi que a gente evolui e dispensa certos tipos de gente. É uma coisa natural: quanto mais velhos (ou mais experientes) em relacionamentos ficamos, mais o nosso tipo de amor ideal muda.


Nem precisa pagar o Pay Per View

Em tempos da volta do BBB, aquela coisa de dar uma espiadinha volta à tona – como se algum dia ela não estivesse em voga. A gente espia tudo hoje em dia. Espia as redes sociais do crush, espia o papo do whatsapp do cara do ônibus, espia o jornal que a senhorinha lê no metrô, espia a conversa do casal no restaurante, espia tudo.


A casa tá aberta e o coração também

Quero acordar do teu lado amanhã, alisar teu peito com a ponta dos dedos, beijar teu ombro e te dizer bom dia. Quero usar tua camiseta para andar pela casa, brigar pela poltrona favorita e pelo controle da tv. Quero roçar tua coxa enquanto dirige, te fazer rir com minhas piadas desconexas e roubar teu ar com meu tesão.


Nada prende mais alguém a você do que deixá-lo livre

Me perdoem, se puderem, os que são dados à praticidade, mas amores-padrão são, no mínimo, desnecessários. Regras são um mal necessário, e há centenas delas – algumas, tácitas – onde quer que se vá: esperar o coleguinha sair do elevador antes de entrar.

Meu fechamento sou eu mesmo, mozão

Não sei se houve um flashmob das pessoas que sigo nas redes sociais ou se é uma nova tendência universal, mas o que acontece é que tenho visto cada vez mais gente usando a singela e romântica frase em declarações públicas.