Você vive ou apenas sobrevive?

Uma vez, enquanto estava trabalhando formalmente, conversava com uma amiga sobre o ciclo que a gente tinha estabelecido: acordar, ir pro trabalho, passar o dia lá, chegar cansado, dormir pra acordar cedo no dia seguinte de novo e por aí vai. Era trabalhar pra pagar contas, comprar bens materiais – ou nem comprar – e nunca sobrar uma grana pra juntar. Pelo contrário, cheque especial era o rei do fim de mês. Não que eu não e ela não tivéssemos uma vida minimamente agradável, mas por que nós fazíamos aquilo?


É importante ter medo

Minha avó sempre disse que só morria afogado quem sabia nadar e eu, pirralho leviano, nunca entendi muito bem de onde ela tirava aquela lógica falha dela. Uns tempos depois, comecei a entender o que o tal ditado significava: você só vai entrar no mar se souber o que tá fazendo ali. Se tiver medo, você nem vai se arriscar em entrar.


Cuidado ao pisar no mundo do outro

Bate na porta. Não vai abrindo de uma vez – arrisca pegar a pessoa desprevenida. Pelada, roncando de perna aberta.

Quando a pessoa abrir – se ela abrir – vê se limpa os pés. Você nunca sabe se o que traz consigo é perfume ou sujeira


Faça isso por você

Você provavelmente já tentou agradar um monte de pessoas ao mesmo tempo e percebeu o quanto isso é difícil. Aquela velha história de que “é impossível agradar a todos“, começa a fazer um sentido danado quando a gente amadurece e precisa tomar decisões. Se é impossível eu não sei, mas andar sempre sob a cartilha alheia é bem difícil, cansativo e corre o risco de te empacar a vida.


Ele não vai largar ninguém por você

Ouvi essa história algumas vezes. “Olha, eu te amo, mas não posso deixá-lo agora, ele precisa de mim”. E ele sempre usava o estado depressivo do namorado, os problemas no trabalho, a tal dependência emocional que o guri tinha dele para me convencer de que era questão de tempo.


Seu príncipe encantado nunca existiu

Príncipes não existem. Até existem, mas passam longe de ser encantados. São humanos, cheios de erros, acertos, belezas e feiuras, como todos nós. Mas deixemos a realeza um pouco de lado e pensemos no nosso cotidiano, não tão real assim.


Já passamos o tempo de fazer joguinhos

Nunca é demais falar sobre respeito. O que não deveríamos fazer com os outros que não gostaríamos que fizessem com a gente ou o que nãdeveríamos fazer com ninguém simplesmente porque não é legal.


Vai lá viver o seu sonho

Apesar de vivermos em um mundo pós-moderno estamos cercados por caretice. De todos os lados, como uma ilha sufocada por convenções. Quando eu bato um papo com os meus amigos, às vezes pergunto sobre o que eles gostariam de ter vivido. Para os rapazes, sempre falo sobre beijar outros rapazes, ou ir além.


Os 20 poucos e muitos anos

Temos os olhos acostumados às telas. Somos rápidos, dinâmicos e começamos a ter responsabilidades cedo. Registramos a vida pelas câmeras cada vez mais modernas dos nossos celulares, que se atualizam todos os anos.


Vai doer a ausência dela

Mas deixa ela ir mesmo assim, deixa ela bater o porta malas do carro, com a mala de roupas mal arrumada dentro. Deixa ela pisar fundo no acelerador e pegar a rodovia com os olhos chorosos, sem fazer um movimento para que ela fique.


Qual a sua contribuição no seu papel de trouxa?

É difícil assumir pra gente mesmo quando não temos os nossos sentimentos correspondidos por alguém. Dá uma sensação horrível de impotência, insuficiência, uma descrença tão grande por mais uma vez não ter sido contemplado com o amor que a saída mais fácil é simplesmente negar a existência da incompatibilidade.


Às vezes não é saudade, é só carência

Sabe aqueles momentos em que você está em casa sozinho sem vontade de sair, fica zapeando o telefone, bate uma carência chata e você resolve abrir seu Whatsapp pra mandar mensagem pro boy lixo? É cilada, Bino!


Há vida fora desta telinha

Se vida fora da Terra? Até acho que sim, mas, por falta de evidências científicas, eu não posso lhe garantir. De uma coisa, porém, eu tenho certeza: existe muita vida – subaproveitada, por sinal – além deste retângulo luminoso em que agora me lê e, com o qual, você anda cada vez mais grudado, como se ele fosse essencial à sua sobrevivência. 


A gente quer é coerência

Acho sempre muito bonito e importante a ideia de reciprocidade, por mais que ache que é um pouco utópica, já que você nunca vai sentir pelo outro a mesma coisa que ele sente por ti e vice-versa. Mas, baseando-me no sentido de que esperamos que as ações do outro sejam recíprocas e não nos façam de trouxa, sinto que falta uma coisinha aí. E não é bem reciprocidade.