• Eu gosto de ficar sozinho
  • Eu gosto de ficar sozinho


    São Paulo no outono tem um climinha delicioso para quem gosta de ficar em casa. Temperatura amena, chuvinhas regulares, céu azul e cinza alternando numa dança gostosa. É óbvio que esse tipo de cenário também é propício para o aparecimento dos “sumidos” no Whatsapp, telefone e Facebook, não é?

    São milhares e milhares de convites para conchinhas, Netflix e garrafas de vinho – do malbec ao chardonnay. Só que existe alguma coisa aqui dentro (que talvez você se identifique) que morre de preguiça de sair de casa para encontrar alguém prum date ou sexo casual. Se até os amigos são preteridos em algumas fases da vida, quem dirá os crushes!

    Chega uma hora em que a gente curte tanto a própria companhia e percebe a delícia que é ficar sozinho. Ouvir o silêncio do teu apartamento onde a única voz que ecoa é a da sua cabeça não tem preço. Pedir delivery de besteira e não ter ninguém te pedindo pra pausar ou mudar ou voltar o filme é uma daquelas bênçãos que não caem do céu todo dia. Deixar a louça pra depois e andar de roupas íntimas a noite inteira sem questão nenhuma de fazer cerimônia e de pentear os cabelos porque você não se importa com essas coisas. Seu espelho é cordial quando a alma tá confortável. 

    Esse tipo de sentimento é bastante taxado de “preguiça do mundo”, o que não deixa de ser verdade. Mas eu prefiro chamá-lo de autoconhecimento. Não é nada fácil dedicar uma boa parcela do seu tempo para aturar a sua própria companhia. Ficar sozinho pode ser incômodo, assim como uma sessão de terapia. Pode aumentar a ansiedade, criar manias de roer as unhas, aprofundar hábitos ruins e pirar a gente. Mamãe, em outros tempos, até nos diria para evitar esse tipo de companhia. Só que não dá, né.

    Ficar sozinho é romper com os padrões sociais de atender aos chamados automaticamente. Afinal de contas, “todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”, mas ninguém espera que você vai dispensar a baladinha pra ler um livro. Ou dormir mais cedo. Ou fazer uns drinks. Ou ver a última temporada inteira de Grey’s Anatomy. Ou cozinhar o seu prato preferido. Opção é o que não falta e, por incrível que pareça, é um programa nada monótono. Dependendo de como você esteja, é bem possível que seja melhor que muito date, jantar com os amigos, visita à casa dos pais ou algo do tipo. Ficar sozinho tem um encantamento que só quem aprendeu (ou está aprendendo, como é o meu caso) a se curtir mais vai entender. E se faltar coragem pra dar aquele primeiro empurrãozinho na hora de se chamar pra sair, ou melhor, pra ficar em casa, aproveita o outono como desculpa e finge uma rinite qualquer. Posso garantir que você não vai se arrepender.

    daniel


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