• A geração que não tem tempo  pra insistir nos seus sonhos
  • A geração que não tem tempo


    pra insistir nos seus sonhos


    A criança que eu fui sonhava em ser atriz. Quando consegui o meu primeiro papel (fiz Emília em uma pecinha da escola primária), pensei que aquele fosse o melhor dia da minha vida – felizmente, não era.

    Adolescente, voltei a fazer teatro, cada vez mais a sério, movida pelo sentimento de pisar no palco e pela ideia de que, um dia, quem sabe, teria meu rosto estampado numa película, numa tela gigante de cinema, tão gigante quanto o meu sonho de infância. Quando consegui o meu primeiro espetáculo com ingressos esgotados, pensei, de novo (dessa vez com mais certeza), que aquele fosse o melhor dia da minha vida (felizmente, ainda não era).

    E então a vida adulta chegou. Eu precisava pagar as contas, conseguir boas notas na faculdade de direito e fazer cooper todas as manhãs. Jamais pensei que nenhuma destas manhãs fosse a manhã mais feliz da minha vida.

    Eu estava tão concentrada em todas essas coisas que não importavam – que podem ser facilmente resumidas em “corresponder às expectativas alheias” – que não me sobrava tempo para a única coisa que realmente importa na vida: insistir nos meus sonhos.

    Não é triste pensar que somos a geração que não tem tempo pra insistir? A geração que precisa desistir, abandonar o que importa e seguir em frente com as prioridades que nos disseram que são as prioridades certas?

    Faça um cálculo simples (e talvez doloroso): de todos os seus dias de vida, quantos foram realmente felizes? Quantas vezes você pensou estar vivendo o melhor dia da sua vida?

    De todos os seus esforços – ninguém duvida deles – quais foram realmente importantes para te conduzirem àquilo que faz o seu coração saltar? De todas as suas funções, quantas realmente te fazem se sentir você? Quantos dos seus amores em potencial permaneceram como semi desconhecidos porque você não teve tempo para cultivá-los?

    A pressa crônica desta geração nos torna figurantes em nossas próprias vidas. Nos rouba os sonhos e os amores. A gente vai deixando pra depois, como se o agora e o depois pudessem ser tão facilmente dissociáveis, e quando a gente vê, o bonde passou, porque o tempo passa tão rápido quanto os dias que pensamos serem os melhores de nossas vidas.

    Você pisca o olho e já é segunda-feira, já é natal, chegou a quarta de cinzas, já é quase tarde demais para insistir no que quer que seja. Num piscar de olhos, já é o futuro.

    De vez em quando a gente esquece, mas todos os nossos dias nos pertencem. E de todas as coisas com as quais podemos preenchê-los, existe mesmo alguma que seja mais importante do que insistir nos nossos sonhos, nos nossos amores, na nossa felicidade?

    A resposta é óbvia, e, como temos dito, não temos tempo para o óbvio.

    Ninguém é feliz por acaso: é preciso reservar tempo – quanto tempo seja preciso – para insistir.

    Amanhã não. Comece hoje.

     ass_nathmacedo


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