• O que eu imagino sobre o que você não diz
  • O que eu imagino sobre o que você não diz


    Não sei vocês, mas eu conheço um monte de gente que acredita que todo mundo tem uma bola de cristal dando sopa no criado mudo de casa. É um tal de ter certeza do que o outro está pensando/querendo/fazendo, de imaginar o porque dele não ter atendido o telefone ou ter desmarcado o cinema de sexta ou ainda de ter estado meio distraído no último final de semana. A verdade é que a grande maioria dos grilos e das frustrações amorosas que a gente vive vem justamente da falta de uma coisa de suma importância em qualquer tipo de relação: a comunicação.

    Dar asas aos devaneios da mente só gera dor de cabeça desnecessária. A solução sempre foi e sempre será muito simples e óbvia: falar. Verbalizar aquilo que pensa, que ficou mal entendido, que deu margem para desconfiança ou conclusões equivocadas, enfim, dialogar. O mal das novas relações é que a gente acredita que o outro é obrigado a decifrar o que queremos, gostamos ou não aceitamos. Mas o coitado do seu namorado só vai saber que você não curtiu ser trocada pelo futebol com os amigos no último domingo se você dizer. Caso contrário, ninguém é obrigado a interpretar cara feia, mau humor e resposta atravessada.

    Se as pessoas soubessem o quanto é descomplicado manter um relacionamento saudável os bares não estariam tão cheios quanto estão hoje de “mimimis” e mágoas evitáveis. Joguinho de quem dá o braço a torcer primeiro nunca levou ninguém à nada. No máximo alimenta uma briga boba de um final de semana que se resolve na segunda e deixa aquele arrependimento amargo de ter perdido dois dias preciosos ao lado de quem a gente gosta. Essa coisa puramente de ego de brincar de “quem aguenta mais tempo” só para ostentar que foi o outro que cedeu após uma discussão está completamente por fora. Bom mesmo é sentar frente a frente e colocar os pingos nos “is” para que ambos se sintam confortáveis naquela situação.

    Falta amadurecer um pouco o conceito de parceria sabe. Falta aquela empatia de quem entende que somos pessoas diferentes, vindas de realidades diversas, com crenças e vontades distintas e, claramente, não sabemos nada sobre a vida do outro à primeira instância. É preciso estrada para começar (porque a gente nunca é capaz de compreender tudo) a aprender o que significa aquele olhar desconfiado depois de um telefonema ou o sorriso sarcástico do companheiro de quem comeu e não gostou. Fatalmente acabamos descobrindo um pouco da essência de quem divide a caminhada com a gente, mas até lá que tal facilitar a permanência e simplesmente colocar em palavras as inconsistências?!

    A base de qualquer relacionamento que deseja prevalecer por bons longos anos é uma comunicação direta e sem rodeios. A intimidade deixa tudo muito mais fácil (ou deveria), afinal de contas se a gente não consegue ser sincero com quem se ama já é um enorme indício de que esta é uma parceria que não deveria existir. Escolhendo bem a maneira de dizer estabelecer um diálogo não dói e nem machuca. O que não dá é para bancar o “vidente” imaturo, ficar criando situações utópicas e ostentando nariz empinado à toa quando deveria era estar sendo feliz. Sejam autênticos e verdadeiros consigo e com os outros. Ao invés de desabafar com as amigas conta logo o que incomoda para o parceiro e acaba logo com o drama. Quem muito guarda uma hora explode (ou desanima) e quem sempre é  depreciado uma hora se cansa (e vai embora).

    danielle-assinatura


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