• Relações de sucesso, o que comem?  Onde vivem? Como se reproduzem?
  • Relações de sucesso, o que comem?


    Onde vivem? Como se reproduzem?


    Algumas pessoas ficam impressionadas com a estabilidade do meu relacionamento. Como se eu possuísse o mapa do tesouro ou uma fórmula mágica, com o olhar emanando esperança me perguntam coisas do tipo: “Como vocês fazem para brigar tão pouco?” Ou: “Como vocês se dão tão bem?” E, às vezes, acredite se quiser, utilizam a combinação de nossos ascendentes e o formato de nossos lóbulos auriculares para justificar a escassez de quiprocós em nosso namoro.

    Doideira, não acha? Mas rola, de verdade. Rola tanto que resolvi utilizar um pedaço do meu precioso sábado para escrever um texto às pessoas (você talvez seja uma delas) que colocam a culpa do namoro de bosta que vivem em signos, formatos de orelhas, incompatibilidades de gostos musicais e outros troços que, a meu ver, não exercem a mínima influência no sucesso ou fracasso de um laço amoroso.

    Quer saber o que realmente faz a diferença no triunfo de uma relação? Está pronta? Mesmo? Ok…

    Primeira – e mais importante – coisa: vontade de fazer dar certo. Vontade de verdade, saca? Do tamanho da vontade de chegar logo em casa que você sente quando o cocô está implorando pra escapar do seu fiofó. Falo isso porque já vi relações feitas de casais que combinam em tudo – até mesmo em “O feijão sobre o arroz, por favor. Mas só caldinho, tá?” – não vingarem. Combinar ajuda, ô se ajuda. Mas está longe de ser suficiente para manter um laço atado e saudável. Em muitos momentos decisivos para o sucesso do relacionamento, de nada adiantará gostarem mais dos Beatles do que dos Stones, odiarem azeitonas pretas e sentirem aflição quando a areia da praia entra no vão dos dedos. Em alguns momentos, a única coisa que realmente fará a diferença entre a consolidação e a ruína é o quanto vocês estão dispostos a enfrentar tudo para fazer dar certo. Tudo, tudo mesmo; e isso incluí sogras que rogam pragas à queima roupa, tesões que murcham repentinamente, tentações que parecem tão irresistíveis quanto bolo de cenoura de vó e outras coisas destroem, facilmente, relações em que a vontade de fazer dar certo não é grande como a piroca do Kid Bengala.

    Segunda coisa: a não ser que ele tenha matado alguém ou cometido outro tipo de crime, coloque uma lona preta sobre o passado dele. E daí que ele comeu dezoito pepecas antes da sua? E daí que ele se gabava por ser cafajeste? E daí que ele já foi casado? E daí? O que aconteceu antes do início da relação de vocês precisa ser deixado pra trás, de verdade. Ou esse apego ao passado impedirá que exista um futuro entre vocês. Vocês agora estão juntos, não estão? Agora é a sua piriquita que ele come, não é? Então, foque no presente, moça. Foque no que estão vivendo agora, pelo seu bem. E pare de desenterrar coisas que não farão bem algum ao relacionamento. Você tem um passado e ele tem o dele, ponto final. Bola pra frente! E, por favor, nunca mais se compare à ex-mulher dele. A bunda dela é maior que a sua, não podemos negar, mas agora ele morde a sua e não a dela, ou seja, foda-se. Você é o presente dele. Ele é o seu presente. Façam jus a isso, porra!

    Terceira coisa: quanto mais você tentar possui-lo, menos o terá – e vice-versa. Em uma relação boa do coração, em vez de donos existem parceiros. Entendeu? Não comece frases com “eu não deixo” ou “você não vai”. Não faz sentido. Não faz bem. Ouço muita gente falando mal dos gatos, dizendo que eles não são legais porque não nos obedecem como os cachorros. Porém, se quer a minha opinião, acho que a relação entre os humanos e os gatos é o modelo de ligação que deve utilizar como exemplo à sua. Explico: quando um gato não quer colo, você não consegue abrigá-lo a ficar sobre seu peito. Não adianta. Ele tem as vontades dele, oras. E você precisa aprender a respeitá-las. Vocês são parceiros, lembra? Você não manda nele e ele não manda em você, fim de papo. O problema é que muita gente quer tratar o parceiro (a) como trata um cachorro: colocando-se em posição de superioridade em vez de se colocar ao lado, como a coisa deve ser. Compreende? Você não pode impedir que seu gato fuja. Não dá. O máximo que pode fazer é dar bons argumentos para ele ficar. Assim é a vida. Esqueça as coleiras, o “Você é meu, só meu!” e toda atitude que poda. Isso é ilusão, não ajuda. Uma coisa é certa: dar liberdade é, também, incentivar a voltar. Ou você retornaria a uma prisão depois de fugir dela? Ainda sobre a liberdade: estar junto não significa nunca mais estar só. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que você – e ele – precisa de momentos particulares – e não estou falando apenas do cocô time. Esse lance de “viramos um só” é muito lindo em poesia, mas, na vida real, sufoca mais do que mata-leão do Rickson Gracie.

    Quarta coisa: ciúme nunca impediu traições, mas, muitas vezes, arruinou relações. Se ele quiser trair, dará um jeito, independente das vezes que ligará só pra perguntar “Onde cê tá? Quem tá aí? Que horas volta?” Se ele quiser, vai trair mesmo se você tenha a senha do Facebook dele. Porém, se não parar de demonstrar desconfiança, o barraco vai desabar, pode apostar. Ou acha que é legal ficar com alguém que vive a dar indícios de que não confia em você? Não, não é. Entendo que você ficou traumatizada graças a relações passadas e blábláblá. Entendo mesmo. Mas, como disse, não adianta. Como já afirmei no parágrafo acima: o melhor que pode fazer é dar bons argumentos para ele querer ficar. E se ele, mesmo assim, resolver ser cuzão, não se sinta idiota ou humilhada, como os traídos foram ensinados a se sentirem por aqui – já reparou que, no Brasil, o traidor se orgulha disso enquanto o traído morre de vergonha. Bizarro, né? Pois deveria ser o oposto. Enfim.

    Quinta coisa: assistam a séries de TV Juntos. Não estou me apoiando em dados científicos para afirmar isso, contudo, baseado em muitos casais que conheço e no meu próprio relacionamento, posso afirmar que séries de TV reforçam o vínculo entre as partes de uma relação. As séries são quase como um filho, percebe? Que os dois começam juntos e, depois, anseiam para ver crescendo. Na prática, é assim ó: você sente vontade de mandar o outro à merda, à casa do caralho, mas se lembra das tantas temporadas que ainda precisam assistir, das horas de seriados que já construíram em domingos “pijamosos” e… e… e… Faz silêncio. Um silêncio que não se arrependerá por ter feito depois que a raiva passar e o orgulho cicatrizar. Um silêncio que garantirá a continuidade da união e o compartilhamento dos melhores momentos da temporada que está prestes a sair.

    Tendeu?

    ass-ricardo


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