• Se der medo, vai com medo mesmo
  • Se der medo, vai com medo mesmo


    Sabe aqueles dias em que você tropeça no tapete ao sair da cama, queima a língua com café, derrama creme dental na camisa, perde o ônibus e, com muita raiva, compreende que nada vai prestar? Então, sem querer ser pessimista, mas as chances de que isso aconteça são bastante grandes.

    É que tem hora que tudo se desarruma mesmo. De repente, a vida vira de ponta cabeça e te deixa de pernas para o ar. Você não tem para onde correr, não tem como ajeitar as coisas e não bastasse, vem o medo e piora tudo.

    Claro que ele pode ser ótimo em alguns casos. Afinal, graças ao medo do “velho-do-saco” você segurava firme na mão da sua mãe quando saía na rua, o que evitava alguns transtornos. Era também pelo receio de repetir o ano escolar e levar um grande castigo nas férias, que você se dedicava com afinco e, debruçado sobre os livros, desenvolvia todas aquelas contas confusas de matemática. Foi ele também quem te livrou de alguns tombos, arranhões e queimaduras. Aprendemos com o medo, ele é um velho sábio que ensina boas lições.

    O problema é quando ele se apodera de você e dita as regras da sua vida. Você não consegue entrar no elevador, andar entre multidões, demitir-se do emprego chato, experimentar sushi ou simplesmente dormir. Ele te deixa inseguro, dá nó no estômago, enevoa a vista, afeta o raciocínio. E, apesar de ter salvo sua pele de diversas encrencas, começa a te fazer perder grandes oportunidades.

    Como aquela garota, com a qual você não teve coragem de puxar papo no metrô, durante um longo ano para, apático, vê-la descer sabendo que nunca mais a encontraria. Ou aquele emprego em que você, de tão nervoso, derramou água na camisa, gaguejou na entrevista e sequer conseguiu mostrar metade do seu potencial. Quem sabe ele foi um vilão digno de história em quadrinhos, quando você recusou abrir aquele negócio, por medo de falir. Ou quando não entrou para a aula de surf, naquelas férias no litoral.

    Medo pode ser um grande inimigo quando você se deixa engessar por ele. Nunca conheci alguém completamente destemido, isso é fato, mas grandes pessoas dão grandes passos, independente do frio na barriga, arriscam-se a ousar. Do contrário, se você deixar a insegurança te dominar, vai ter de viver com o pé no freio, sem nunca desfrutar da paisagem e é assim que você não vive.

    Se não tiver coragem nunca vai fazer aquele intercâmbio que sempre sonhou, não vai sentir o prazer de colocar uma mochila nas costas e voar pelo atlântico em busca de aventuras. Nunca vai conseguir pedir a pessoa que ama em casamento, ou sentir o vento batendo no rosto num passeio de moto, muito menos o frio gelando as mãos enquanto esquia. Se der ouvidos constantemente ao medo, aquela promoção com a qual tanto sonha vai bater em outra porta, aquele amor vai para outros braços e a vida vai ficar pragmática e entediante.

    Com medo você não sai do chão, não alça vôos e não consegue muito mais do que aquilo ao alcance das mãos. Temer algo, faz parte da vida, fazer o quê? Portanto, antes de entrar em pânico e desistir dos seus planos, pense que algo incrível pode estar te esperando além da linha do horizonte e que você precisa desgarrar da rotina para alcança-lo. Lembre que mesmo sendo difícil ganhar o jogo, você precisa fechar os olhos e entrar em campo para desfrutar a vitória. Ou que não vai conseguir andar de trem sem comprar o bilhete e tampouco cozinhar sem acender o fogo.

    É preciso encarar o medo para lidar tanto com as coisas grandes e pequenas da vida. Viver, por si só, já requer muita coragem. E olha que absurdo, você está aí, vivinho da silva lendo este texto. Então, quando sentir aquele frio na barriga e o pânico correndo pela circulação sanguínea na hora de realizar um sonho, é sinal de que esse sonho vale a pena. Nessas horas, vale o mantra: se der medo, vai com medo mesmo!

    loui


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