Na cama, quando estou sem roupa e com muito tesão, eu gosto mesmo é de foder a mulher que eu amo. Fodo porque sei que, na hora H, é exatamente isso que a satisfaz.

Se faço amor, além de trepar? Faço, claro. Porém, faço um amor bem diferente do feito por aqueles que dizem “Eu te amo” no momento do sexo, mas que, no resto do tempo, agem como se não amassem nem um tiquinho, dando tapas quando elas esperam carinho e fazendo cafuné quando elas querem de tudo – tudo mesmo! – menos denguinho.

Fazer amor, para mim, não é falar “Ficarei dentro de você para sempre, minha vida!” quando estiver transando, ao som de Bon Jovi, sobre uma cama coberta por pétalas de rosas. Bem longe disso.

Fazer amor, de acordo com o meu ponto de vista, é transformar filmes modernos em filmes mudos só pra não atrapalhar o sono gostoso dela; tornando-se, assim, um expert em leitura labial e um ser acostumado ao Jornal da Globo legendado.

Fazer amor é pedir um prato que ela amará por possuir a certeza de que ela não gostará muito do que acabou de pedir. E, depois que ela der duas garfadas desempolgadas e com um sorriso amarelo de açafrão confirmar a sua suspeita, propor: “Troca de prato comigo? Eu não curti muito o meu.”

Fazer amor é afirmar “Não, não tô ocupado. De que tipo de ajuda precisa?” naqueles dias em que você está pensando em fazer um pacto com o capiroto para conseguir mais 10 minutinhos, almoçar sem ter de parar o serviço e um chefe que já tenha ouvido falar em Lei Áurea.

Fazer amor é abrir mão do sal – e fingir que ele não faz diferença no gosto da comida (“Eu achei o arroz igual, sério!”) – quando ela começar a ter pressão alta. E não reclamar dos “doces” feitos com adoçante quando médico dela disser: “Você é pré-diabética, precisa mudar alguns hábitos.”

Fazer amor é ignorar a alta abrupta do dólar – e a baixa repentina do poder de compra do seu salário – e parcelar uma viagem em zilhões de vezes só para realizar o sonho dela de construir boneco de neve e passar um Natal à la Esqueceram de Mim em NY. E depois, quando notar que ainda está na parcela 8 (de 48) – e que provavelmente não terá mais cabelos quando terminar de pagar tudo -, em vez de arrependimento, começará a sentir uma vontade incontrolável de apontar o indicador às malas dela, arregalar bem os olhos e, mais uma vez, dizer: “Nós só vamos ficar uma semana, viu? Não estamos nos mudando pra lá!” Porque fazer amor também é fazer rir.

Fazer amor é falar “Toma você primeiro, tô morrendo de preguiça!” quando a água quente está prestes a acabar.

Fazer amor é aprender a fazer bife rolê, panqueca, escondidinho, macarrão à bolonhesa, bolinho de espinafre e purê de batata só porque você a ouviu desabafar: “Nossa, que saudade da comida da minha mãe!”

Fazer amor é fingir que o asfalto não está fritando a sola do seu pé só para ela não se sentir culpada por ter se esquecido do chinelo.

Fazer amor é tratar o filho – e os cachorros dela – da mesma maneira que você trata os seus, mesmo que ele seja fruto de um relacionamento com um cara que você odeia.

Fazer amor é discutir, claro que é, mas sempre tomando o maior cuidado do universo para não agredir, desrespeitar ou dizer palavras que ela, mesmo querendo, não conseguirá apagar da memória.

Fazer amor é fazer de tudo para cicatrizar as feridas que gente que não sabe o que é fazer amor deixou no coração dela.

Fazer amor é fazê-la se sentir amada, em todos os sentidos, até quando está sendo fodida por você. Ou pela vida.

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