Em meio aos protestos em SP, a mídia mostra de qual lado está de verdade
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    mídia mostra de qual lado está de verdade


    Se você vive em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo nessas alturas, deve estar sabendo dos conflitos que têm acontecido na cidade. Tudo começou com o anúncio do aumento da passagem de ônibus, metrô e trem, de R$ 3,00, para R$ 3,20. Mas, ao contrário do que muita gente tem dito, toda essa revolução criada e organizada pelos habitantes da cidade não tem nada a ver com R$ 0,20 centavos – esse aumento (ainda injustificável, já que a população não terá nenhum benefício que justificaria esse aumento) é apenas o estopim de um povo que está cansado de sofrer abusos de um governo corrupto que não está nem aí para as necessidades e direitos das pessoas – povo esse que paga o salário de todos os políticos. Inclusive o do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad que, nesse momento de crise, estão em Paris, e se referem ao povo – aquele mesmo que deu o voto de confiança neles – como “vândalos” que precisam ser punidos.

    As opiniões sobre os protestos que vem acometendo a cidade de SP dividem opiniões: os que ainda estão cegos pelas informações mentirosas da mídia e aqueles que só pensam no próprio umbigo e se dizem contra as manifestações. Aqueles que podem pagar, e que não serão afetados pelos aumentos de preço, reclamam de dentro de seus carros de playboy que os manifestantes estão “atrapalhando o trânsito”. Acontece que esse aumento apenas reafirma o fato de que nós, brasileiros, pagamos preços abusivos em absolutamente tudo (o Brasil é um dos países que têm as maiores cargas tributárias do mundo). Por exemplo, quando você compra uma TV, 50% do valor é de impostos. Quando o assunto é luz elétrica, a porcentagem sobre para 70%. Pra gasolina, não é muito diferente: 60% do preço que você paga para colocar combustível no seu carro é de imposto. Ou seja, na média, sempre que você comprar alguma coisa, 50% do valor é imposto, o que significa que, se não fosse esse dinheiro repassado ao governo, você poderia comprar o dobro das coisas, ou poderia trabalhar metade do tempo. O vídeo abaixo explica bem esse cenário:

    Por isso, o povo que foi as ruas não está lutando apenas contra os R$ 0,20 centavos. Muito provavelmente, boa parte das pessoas que se arriscaram em participar de um manifesto, correndo o risco de serem agredidos pela polícia, podem pagar os R$ 0,20 centavos. Acontece que o povo começou a acordar e perceber que não pode mais se calar diante dos absurdos que tem que engolir goela abaixo. Prova disso são as diversas manifestações que têm acontecido nos últimos tempos: manifestação contra Feliciano, a marcha da maconha, a marcha das vadias – entre outras. Mesmo que, para alguns, elas ainda não tenham surtido efeitos visíveis, elas mostram que o povo brasileiro não é bobo e cansou de se calar. E, tenho certeza, elas não vão parar por aí.

    Esse momento de crise serve para mostrar quem está do lado de quem – diversos veículos da grande mídia estão falando sobre o evento e se referindo às pessoas como “vândalos” e “baderneiros”. A TV e os jornais somente mostram cenas nas quais os cidadãos estão alterados, mas escondem as cenas de violência vindas dos despreparados da PM. A imagem abaixo mostra um exemplo disso – o jornal Folha de S.Paulo colocou na sua chamada o seguinte título:

    “Contra tarifa, manifestantes vandalizam o centro de SP.” Um pouco abaixo, ainda na mesma página, aparece: “Polícia da Turquia reprime ativistas em praça em Istambul.” Ou seja – para eles, os brasileiros que lutam pelos seus direitos são vândalos; os turcos, ativistas. Isso porque o slogan do jornal é “Um jornal a serviço do povo.” Aham. Imagina se estivesse contra ele.

    (imagem via)

    A mídia pode – e vai – manipular as informações. Mas cenas gravadas e fotografadas pelas pessoas de bem e espalhadas na internet mostram toda a verdade que os grandes veículos querem esconder. Como no vídeo abaixo, no qual um Policial Militar quebra o vidro da própria viatura para atribuir a culpa aos manifestantes e justificar a reação violenta:

    Ou ainda essa foto que mostra um PM jogando spray de pimenta diretamente no rosto de um cinegrafista que está filmando a manifestação. Essa imagem mostra o quão vândalo o cinegrafista estava sendo para merecer uma agressão dessas.

    (imagem por Estadão Conteúdo)

    E para quem acha que a Polícia deve, sim, revidar com violência diante dos “vândalos”, que tal essa foto abaixo, que mostra a repórter da TV Folha, Giuliana Vallone, atingida no olho por uma bala de borracha? Segundo informações, ela estava em um estacionamento na Rua Augusta, já indo embora, quando, segundo uma testemunha, um policial que estava no banco de trás de uma viatura atirou contra ela de dentro do carro. Quem vai pagar essa conta, Brasil? Será que o prefeito e o governador irão sair de seus compromissos em Paris para dar assistência a essa moça que pode perder a visão, e a mais um monte de gente que foi ferida por protestar pelos seus direitos?

    A polícia brasileira definitivamente está despreparada para lidar com situações como essas. Por onde passaram, os policiais que estavam presentes, teoricamente fazendo a “segurança da população”, deixaram um rastro de desrespeito aos direitos humanos – estudantes feridos, pessoas detidas por carregar vinagre (usado no combate à intoxicação das bombas) e também kits de primeiros socorros, pessoas que apenas passavam pelo local sendo atingidas.

    Aos que usam o já batido argumento de que com violência não se leva nada, concordo, não estamos de forma alguma defendendo o vandalismo, mas os dois lados da moeda precisam ser vistos. Há sempre o meio pacífico de fazer uma greve, uma petição online, um abaixo-assinado, mas isso surtiria pouco efeito. O Brasil, por ser um país mais novo, ainda está aprendendo a melhor forma de protestar, assim como os povos da Europa aprenderam. Claro que algumas pessoas se exaltaram demais e acabaram perdendo a razão, mas não a maioria delas como os veículos de imprensa querem que você acredite. Na manifestação de quinta-feira, segundo fontes, o povo pedia paz, e não violência.

    Ou seja: como paulistanos e brasileiros, hoje viemos aqui mostrar o nosso apoio total ao povo e fazer um alerta para quem ainda não percebeu quem está do lado de quem. Não podemos confiar jamais em veículos de informação que se mostram claramente favoráveis ao governo, enquanto o povo luta para ganhar voz. Um jornal que, em vez de mostrar os dois lados da situação e expor as injustiças, se refere aos cidadãos como vândalos, não serve nem para embrulhar peixe. Um canal de TV que só mostra um lado da história – aquele que vai contra a população – não merece o seu respeito e, muito menos, a sua audiência. Por isso, precisamos proteger com todas as forças o único veículo que dá voz ao povo, mesmo que todos os grandes estejam contra – a internet. Quer buscar uma informação sem manipulação? Desligue a TV, feche boa parte das revistas e jornais e vá para a internet. Escute a voz de quem realmente só está lutando por um Brasil melhor, um Brasil onde as pessoas possam ter voz e não tenham de ser eternamente subjugadas aos interesses de quem só pensa em dinheiro e está pouco se lixando para o povo. Estamos presenciando e vivendo um momento épico no qual os smartphones e as redes sociais têm ajudado e muito a população a ganhar voz. Há 10 anos, isso não teria sido possível, e teríamos que nos contentar com as informações duvidosíssimas divulgadas por veículos como a Globo e tantos outros.

    Por isso, se você pode pagar todos os impostos abusivos cobrados pelo governo, bom para você. Mas não se manifeste contra o direito do povo. Não enfraqueça a voz da população. Não diga besteiras por estar pensando somente no seu lindo umbigo. Afinal, um dia o jogo pode virar, e você pode estar precisando da voz da população para lutar por algum direito seu ferido.

    Lembre-se: não é pelos R$ 0,20 centavos. É pelo direito de um povo que cansou de ser violentado e que quer honrar o lema impresso na bandeira de São Paulo: Non dvcor, dvco, ou “Não sou conduzido, conduzo”.


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