• O strip-tease Mais Íntimo de Todos
  • O strip-tease Mais Íntimo de Todos


    Nesta noite, nada de meia-luz, música, velas, pétalas; nada de cinta-liga, salto alto, maquiagem, manobras sexuais; nada de jogo de sedução, nem de sedução propriamente dita. Nesta noite, apenas duas pessoas, exatamente como elas são. Não há nada mais íntimo que isso.

    Não há strip-tease mais íntimo do que aquele em que você, exibindo suas sardas e marcas de espinhas, usando moletom, meias e seus enormes óculos de leitura, consegue olhar no fundo dos olhos daquele cara, sem qualquer pudor.

    Não há strip-tease mais íntimo do que aquele em que você se sente à vontade para mostrar quem você é de verdade e falar o que você pensa e sente de verdade. Aquele em que, com a mesma leveza que tem para tirar cada peça de roupa diante do outro, você consegue tirar cada peça da máscara que usa diante da sociedade.

    E começa o show…

    - Eu tenho medo de amar – lentamente, tira o cachecol.

    - Eu fumo escondida de vez em quando – lá se vai o casaco.

    - Já tive um caso lésbico – abre-se cada botão da camisa com suavidade.

    - Fui reprovada no semestre passado na faculdade – o zíper é empurrado devagar e logo a saia escorrega pelo quadril e vai ao chão.

    - Sou a pessoa mais insegura do mundo – os sapatos, um por um, deixam delicadamente os pés.

    - Sou um desastre na cozinha – a cinta-liga é solta e as meias 7/8 deixam revelarem-se as pernas.

    - Já tive vontade de matar, e de me matar – de costas para ele, abre o fecho do sutiã.

    - Já traí alguém – e lá se vai, triunfante, a calcinha.

    O olhar dele, nesta noite, não é de tesão como em noites anteriores.                   É de admiração, de respeito, quem sabe até de amor. E a relação dos dois, neste momento, deixa de ser um ensaio. Passa a ser real, passa a ser pra valer. Deixam de ser pessoas fragmentadas – tornam-se dois inteiros.

    Tirar o sutiã e a calcinha é o de menos. O grande strip-tease é se livrar das máscaras.