• Ode à Masturbação Feminina
  • Ode à Masturbação Feminina


    Não tem cena mais linda do que uma mulher se mastubando. A capacidade de chegar ao orgasmo apenas com os dedos, em um dos poucos momentos nos quais nos permitimos gastar um tempo exclusivo com o nosso próprio prazer, é uma habilidade divina. Mas, contraditoriamente, masturbação consegue ser para as mulheres, mais tabu do que sexo anal. Em qual parte do trajeto essa maravilha foi transformada em algo sujo e proibido?

    A Descoberta

    Toda mulher provavelmente se lembra das primeiras vezes que se tocou. Esse momento acontece geralmente muito cedo e, só é levado adiante por aquelas meninas que se permitem investigar mais a fundo os mistérios desse prazer tão proibido.

    A primeira vez é bem difícil lembrar. Principalmente, porque o toque surge quase como algo instintivo – quase como uma artimanha do cérebro dizendo – vai lá garota, descobre o que é bom nessa vida. E, meio que sem entender, como um instinto, levamos nossas mãos em direção à nossas menininhas antes intocadas. O que começa apenas como uma sensação gostosa, nos deixa literalmente em êxtase quando nos presenteamos com o primeiro orgasmo. Claro que a gente nem entendia o que isso significava. Muito menos entendíamos que aquela prática inocente teria alguma coisa a ver com sexo – também, como poderia ser diferente, se ninguém fala sobre isso em casa ou na escola.

    Lembro que, quando descobri a masturbação, não fazia ideia do que estava fazendo de fato – mas tinha dentro de mim, inconscientemente, uma incômoda sensação de que estava fazendo algo errado. Me escondia. Tentava em vão procurar sobre aquilo em livros (ah, como o Santo Google fez falta!). Criei (só Deus sabe de onde) e acreditei numa ideia maluca de que não poderia engravidar nunca se continuasse fazendo aquilo. Essas encanações duraram uns bons anos – e poderiam ter sido poupadas se alguém me explicasse que aquilo era uma coisa natural e muito benéfica vivida por todas as pessoas.

    Mesmo com os medos e inseguranças – felizmente – não parei de me dar prazer. Me masturbava uma, às vezes duas vezes por dia. Cada vez mais conhecia o meu corpo e descobria formas mais eficientes de chegar no orgasmo. Quando descobri que o que fazia se tratava somente de uma inocente masturbação, comecei também a dar espaço para minhas fantasias – fantasias essas que se mantém vivas até hoje. Tudo muito inofensivo e saudável. Muito provavelmente, todo esse vasto e longo processo de auto-conhecimento tenha sido o grande responsável pela liberdade sexual que tenho hoje.

    Censura Sexual

    A masturbação foi – desde que me conheço por gente – uma coisa muito presente na minha vida, mas nunca tive coragem de falar sobre isso com ninguém. Acredito que tenha sido resquício do conceito de que mulher não podia sentir prazer com sexo. Esse conceito foi evoluindo com o tempo, mas vesígios deles continuaram presentes nas cabeças das pessoas. Talvez seja por isso, que o assunto tenha ficado tão desconfortável entre a ala feminina. Enquando isso, piadinhas sobre o garotão que demorava tempo demais no banheiro, eram vistas com naturalidade e até um certo orgulho  por constatar que “meu menino tá virando homi”. Injusto, as usual.

    Esse é provavelmente um dos motivos pelo qual é tão comum vermos hoje mulheres que não conseguem gozar. Que reclamam dos parceiros, mas que não sabem ensinar porque não fazem ideia de como e onde sentem prazer. Tem também as que não gozam, mas fingem que está tudo bem, porque nunca descobriram o prazer e a renovação que um orgasmo pode proporcionar. E seguem suas vidas sem conhecer seu maior templo – seus próprios corpos. Grande desfeita com a natureza, qeu nos fez perfeitos e com habilidade de sentir um prazer inexplicável através de um botãozinho modesto escondido embaixo de um humilde capuz.

    Correndo Atrás dos Gozos Perdidos

    A boa notícia é que nem tudo está perdido. Mesmo pra aquelas que nunca cederam aos instintos de se tocarem sozinhas debaixo das cobertas, nunca é tarde pra começar. Ainda mais hoje que, com um clique, é possível comprar vibradores ultra eficientes que deixam nossos lentos dedinhos no chinelo e provocam um orgasmo em questão de minutos.

    Sem desmerecer o sexo, que é mais poderoso e completo do que a masturbação, não tem nada mais revigorante do que uma gozadinha fácil naqueles momentos de pressão e stress. Ou naqueles momentos em que os hormônios nos deixam com um fogo na parte debaixo, mas que não queremos ou não podemos apelar pra alguém nos salvar. E, principalmente, pra aqueles dias em que tudo deu errado, mas que você sempre pode ter a certeza de que os momentos finais do dia vão ser de prazer – e isso, ninguém pode tirar de você.

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