• “Me Pega Com Força” – uma  Análise da Relação Dor X Prazer
  • “Me Pega Com Força” – uma


    Análise da Relação Dor X Prazer


    Há uma linha tênue entre dor e prazer. Se as expressões de alguém com tesão e prestes a gozar fossem registradas em fotos, seria difícil diferenciá-las das expressões de alguém sentindo dor. No entanto, é complicado aceitar esse fato – principalmente, porque o nosso lado racional insiste em afirmar que sentir prazer em sentir dor só pode ser uma perversão, uma coisa de gente “doente” ou tarada.

    Esse fator ainda não explicado fica reprimido dentro de muita gente. Mas vestígios deles são a nossa volta. Seja nas entrelinhas -“depois brinca comigo, ri do meu umbigo e me crava os dentes.” – ou no papo reto – “dói, um tapinha não dói – o fato é que já faz tempo (as primeiras obras sobre sadismo e dor datam por volta de 1885) – que a humanidade tenta entender a relação do prazer e dor.

    Sempre quis entender de onde vem esse nosso prazer em sermos submetidos no sexo. Há as justificativas médicas, que os nervos sensoriais dos genitais masculinos e femininos seriam os mesmos que transmitem dor e prazer. Há também as justificativas da psicanálise, baseadas na explicação Freudiana que fetiches desse tipo viriam de situações vividas na infância. O fato é que, ninguém ainda conseguiu encontrar uma explicação definitiva e comprovada para explicar o número enorme de pessoas que gostam de sentir algum tipo de dor no sexo.

    Se você procurar na internet sobre a questão da relação dor X prazer, muito provavelmente vai encontrar, em sua maioria, arquivos referentes ao sado-masoquismo, que é o extremo dessa relação. Mas pra pensarmos no desejo da dor como potencializador do prazer, não precisamos ir tão longe. Vamos falar aqui dos casos mais sutis, dos que não querem se aprofundar na fantasia, mas que sentem prazer em serem amarrados, amordaçados, mordidos ou pegos com força no sexo. Se você nunca teve esse desejo, provavelmente conhece alguém muito próximo que já teve – é muito mais comum do que você possa imaginar.


    Tabu Dolorido

    Falar desse tema é sempre um assunto delicado. Até porque, não se pode sair falando que gosta de apanhar para alguém em quem não confia ou que esteja transando sem compromisso – tem muita gente doida por aí e muita gente sem bom senso. Esse é um tipo de fantasia que só pode ser externalizada com alguém com quem se tem muita intimidade e confiança, inclusive se utilizando de uma safe word – um palavra usada como código para expressar que o jogo tem que parar imediatamente.

    Um outro motivo pelo qual as pessoas não gostam de tocar nesse assunto é porque existe um lado da sociedade que vê esse desejo como algo desmoralizador, principalmente pelo fato de que geralmente são as mulheres que preferem estar na posição de submissas – abre-se, então, uma brecha para os feministas dizerem que as mulheres que se submetem estão se desvalorizando.

    Agora, se pararmos pra pensar, o fator dor é muito presente na nossa cultura, de uma forma disfarçadamente aceitável. Um exemplo disso é o salto alto – uma peça de vestimenta feminina totalmente desconfortável, que deforma os pés das mulheres, que torna qualquer caminhada muito mais difícil, que tira a nossa agilidade natural e que, mesmo assim, muitas mulheres são quase obrigadas à usá-los, devido a uma imposição social. E, em muitos casos, o sofrimento é visto também como um valor agregado à algo que se quer alcançar, como no caso dos regimes,  jejuns religiosos, tatuagem. Quem nunca ouviu o famoso, “pra ficar bonita tem que sofrer.”

    Puxa meu cabelo?

    Quando falamos da inserção da dor no sexo, estamos nos referindo a um contexto. Ninguém é maluco de gostar de sentir dor do nada – se fosse assim, os sádicos teriam orgasmos múltiplos se cortando sozinhos. Por isso, o que notamos é uma grande quantidade de pessoas que tem uma capacidade de erotizar a dor, fazendo com que ela se transforme em um agente potencializador do prazer. Há um botãozinho desses transformadores presente em todos os que gostam de uns arranhões e umas puxadas de cabelo durante o sexo.

    Já se sabe que fantasias são muito melhores vividas dos que explicadas. Cada um tem a sua – você pode chamar de louco aquele que sente tesão com coisas que não são racionalmente normais, mas com certeza você também têm um pouco de bizarrice escondida. Saber desenvolver suas fantasias de uma forma saudável – sem correr riscos e nem colocar ninguém em perigo – é uma das formas mais eficientes de evoluir o prazer no sexo. Ter alguém em quem confia  que tope realizar suas fantasias mais proibidas pode ser sua chance de experimentar um prazer que você nem imaginava que existia. Mas, claro – esse prazer é privilégio exclusivo dos que têm coragem de perder a razão de vez em quando.

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